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Instituições educacionais do Amapá solicitam adiamento do Enem

Publicado: Segunda, 18 de Maio de 2020, 15h24 | Última atualização em Segunda, 18 de Maio de 2020, 16h47

 

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é um dos maiores instrumentos de avaliação para concluintes do Ensino Médio do mundo, perde apenas, em número de candidatos, para o Gaokao, seu equivalente chinês. Essa importância faz dele um teste que ultrapassa, em muito, os conhecimentos dos candidatos sobre os conteúdos de suas questões. O Enem é uma prova para a sociedade brasileira como um todo. Famílias, escolas e universidades empenham grandes recursos de ordem material e emocional nele.

Ainda que a prova em si, colocada diante de nossos estudantes pelo Enem, seja equivalente em seu grau de exigência, as condições reais de existência que levaram cada um dos candidatos até elas é largamente desigual. Em condições normais, o Enem já representa uma pressão psicológica grande, mesmo na vida de candidatos com boa infraestrutura para estudar e consumir conteúdos que melhorem sua preparação. Mais ainda, na vida do estudante cuja escola ainda luta para ter uma biblioteca atualizada e para o qual ter acesso a um laboratório de informática é um sonho distante.

A complexidade e o impacto que essa prova tem na vida de nossos jovens assume maiores proporções quando pensamos em sua realização em meio a atual crise sanitária mundial que, como sabemos, interrompeu e/ou alterou todos os nossos fluxos de convivência social, dentre eles, as rotinas de nossas escolas, que estão entre as primeiras instituições a colocarem em prática as recomendações de isolamento social preconizadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O Instituto Federal do Amapá (Ifap), por exemplo, tem uma relação em dois níveis com o Enem: ao mesmo tempo em que seus estudantes concluintes do ensino médio realizam o exame, a instituição também recebe, em seus cursos de nível superior, candidatos aprovados por meio dele. É essa experiência que leva a instituição, assim como as demais que subscrevem essa nota, a defender o adiamento do exame para um momento no qual nossa sociedade tenha sido capaz de superar o trágico número de casos confirmados, óbitos e superlotação de hospitais em decorrência da pandemia da Covid-19.

Entendemos que a paralisação das aulas em escala nacional acentua a desigualdade entre os candidatos no que diz respeito a sua preparação para essa prova, quando, em sua essência, o exame pretende representar exatamente o oposto: uma avaliação de âmbito nacional que permite a mobilidade de estudantes pelo Brasil ao viabilizar que um candidato conquiste uma vaga em um curso superior, mesmo que este curso seja ofertado por uma instituição fora de sua região.

Tal preocupação já foi compartilhada com o Ministério da Educação (MEC) e com os parlamentares da bancada federal do Amapá por meio de um ofício circular, no qual apresentamos nossa avaliação que, em síntese, entende que o mais adequado no momento para a educação brasileira em toda a sua complexidade é que o Enem seja adiado e tenha seu calendário revisto para que as inscrições e provas possam ser realizadas primando pelo equilíbrio e segurança sanitária dos candidatos.



Assinam esta nota:
Instituto Federal do Amapá
Universidade do Estado do Amapá
Fórum Estadual de Educação
Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos

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